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Uma das lembranças mais antigas que eu guardo é da casa onde nasci. Vivi naquele lugar até meus quatro anos de idade. E é o lugar que eu guardo as melhores lembranças da minha existência. Das brincadeiras no pátio, dos tombos na escada, da manhã de natal, segurando um dos melhores presentes que já ganhei (uma boneca Mônica), das tardes vendo filmes dos Os Trapalhões na televisão. Do Chevette vermelho do um pai. E da primeira vez que vi um filme de terror na minha vida. Eu costumava brincar com frascos de perfumes da minha mãe, enquanto meus irmãos assistiam televisão.
Lembro da sala toda escura e, sentada de costas para o corredor, observa a cena em que a menina deixava flores em um túmulo e alguém a agarrava. Eu simplesmente virei minhas costas e vi aquele imenso corredor imenso e a cortina que balançava. Senti um medo paralisante. E fiquei viciada nisso. Foram inúmeras sessões das dez com minha irmã mais velha, como O Exorcista, A Hora do Pesadelo, A coisa, Evil Dead, Sexta- Feira 13. E esse é o elo mais precioso que possuo com minha irmã mais velha.
Lembro do meu irmão me assustando e me obrigando a buscar Minuano Limão (olha que antigo!) no porão da nossa antiga casa, onde ficava o congelador. Eu, é claro, não fui, mas lembro da cena, lembro do filme que estava passando. Era lançamento de A Hora do Pesadelo 5 na Tela Quente. E de como, apesar do medo, Freddy se tornou um ícone para mim. E de como eu achava o Wes Craven o máximo… Até assistir Um vampiro no Brooklin e meio que largar de mão.
Ou do dia em que eu assisti Edward Mãos de Tesoura e foi uma das experiências mais surreais da minha vida. Naquele momento eu passei a amar genuinamente cinema. Não sabia quem era o Tim Burton, nem nada. Nem que ele viria a ser o nome mais presente na minha estante de DVD’s.
De como eu amava Aventureiros do bairro proibido, um filme que fazia eu interromper qualquer coisa que pudesse estar fazendo e corresse para a sala. Das tardes vendo Cine Trash. Dos dias que eu faltava períodos de aula para alugar VHS’s. Do dia em que me tornei fã do Nicolas Cage. Das repetidas e incansáveis vezes que revi os meus filmes favoritos. De como me apaixonei por Tarantino. Não que eu tenha gostado muito de Cães de Aluguel ou Pulp Fiction, mas de como gostava de Kill Bill e Jackie Brown. De como Death Proof melhora depois da cena do acidente.
De como eu adorava Amelie, Ghost World…Dos dias de comoção assistindo Despedida em Las Vegas. E dos filmes que eu revi milhões de vezes por causa da trilha sonora.
Das vezes que fiz sessões triplas, duplas. Das vezes que eu assistia Thelma e Louise milhões de vezes…
Mas todo amor, toda paixão… um dia acaba.
(só pra não deixar o post aí debaixo tão solto)
Eu ainda gosto muito de cinema, mas acho que o problema é do mundo. Tudo anda ficando muito asséptico. Assim tem sido com a TV, com o cinema, com o futebol e com a música. A literatura ainda tem coisa que se salva, mas a qualidade também caiu muito. Esse é o problema.
E, embora não acredite em horóscopo, tenho de admitir que esse negócio de libriano é foda. Eu e a Érica somos de outubro e juntos somos o fim da picada: não conseguimos decidir nada, ficamos um falando para o outro “por mim tanto faz, o que você prefere?”